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FABRIKAR · Tolerâncias e Montagem

A peça sai da fábrica dentro da tolerância, o apoio é locado dentro da tolerância, a montagem fica dentro da tolerância — e a peça não entra. Este módulo mostra por quê: soma os desvios das duas maneiras (pior caso e em quadratura), devolve a probabilidade real de não encaixe na folga disponível e aponta a etapa que mais pesa — a que vale a pena apertar. Roda 100 % no navegador.

1 A cadeia de desvios: etapas e folga disponível

Somar as tolerâncias no pior caso (aritmética) supõe que todas as etapas erram ao mesmo tempo, no mesmo sentido e no limite — o que praticamente não acontece, e superdimensiona a folga que o projeto precisa reservar. A soma em quadratura (RSS) é o que a estatística manda quando os desvios são independentes: cada etapa erra por conta própria e as compensações são a regra, não a exceção. Quando os desvios não são independentes — a mesma fôrma, o mesmo gabarito, o mesmo operador, o mesmo instrumento de locação entrando em várias etapas —, os erros caminham juntos e o resultado volta a tender ao pior caso. Por isso a leitura correta é sempre a dupla: o RSS diz o que se espera, o pior caso diz o que ainda é possível.

Descreva cada etapa que produz desvio até o encaixe e a tolerância ± dela (em mm). O exemplo carregado é uma peça pré-moldada assentada sobre apoio locado em obra.

O segundo campo diz como a tolerância se relaciona com o processo: 3σ (padrão) significa que o processo entrega 99,7 % das peças dentro do ± declarado. Um processo folgado, em que a tolerância é atingida com frequência, está mais para 2σ — e o risco sobe.

2 Resultado: quanto acumula e qual a chance de não encaixar

Os dois primeiros números são a mesma cadeia somada de duas maneiras. O terceiro é o que interessa à obra: a fração das peças que exigiria ajuste em campo — corte, calço, retrabalho ou, no pior caso, peça devolvida.

3 Quanta folga o projeto precisa — e como ler estes números

O desvio acumulado não tem limite rígido: tem distribuição. Aumentar a folga de projeto derruba a probabilidade de não encaixe muito depressa, porque a cauda da distribuição cai rápido — em geral custa menos que apertar a tolerância de todas as etapas. O quadro abaixo repete a mesma conta variando só a folga disponível, mantendo as etapas informadas acima.

Como ler: uma probabilidade de 0,1 % quer dizer 1 peça a cada 1.000 fora do encaixe — em 200 peças, praticamente nenhuma; em 20.000 peças de um galpão repetitivo, vinte ocorrências de campo. O número só faz sentido junto com a quantidade produzida e com o custo do ajuste. E vale a regra que a tabela de contribuição mostra: apertar a etapa que domina a variância vale mais do que apertar todas — o resto entra ao quadrado e quase não move o resultado.

4 Levar para o projeto de fabricação

JSON com as etapas, a folga e os resultados (quem receber reproduz a conta, inclusive a semente da simulação) ou impressão como anexo do projeto de fabricação e do plano de montagem.